30 filmes sobre psicologia que retratam a complexidade da mente humana

  

Segundo o psicólogo austríaco Harald Rohracher, psicologia “é a ciência que investiga os processos e estados conscientes, assim como como as suas origens e efeitos”. Trata-se de um estudo cientifico que busca descrever sensações, emoções, pensamentos, percepções e outros estados motivadores do comportamento humano, que levam o indivíduo a pensar e agir de determinada maneira.

A complexidade da mente humana já rendeu histórias surpreendentes que foram retratadas em filmes de diversas épocas. A lista de hoje traz 30 filmes sobre psicologia que variam entre temáticas comuns dentro deste campo da ciência, desde desvios de personalidade a doenças degenerativas.

Ao contrário da maioria das listas do blog, os filmes a seguir são ordenados pelo ano de lançamento e não pela proximidade ao assunto do post.

30 – 12 Homens e Uma Sentença (1957)

Cena do filme 12 angry men onde os 12 jurados estão reunidos em uma sala

Um jovem porto-riquenho é acusado de ter matado o próprio pai e terá sua sentença definida pelo julgamento de 12 jurados. Enquanto 11 deles votam pela condenação do garoto, um acredita em sua inocência e tenta prová-la aos demais.

A narrativa se desenvolve a partir da argumentação em favor da inocência do réu à medida que o personagem interpretado por Henry Fonda tenta convencer os outros a repensarem sua sentença e o passado de cada um dos 12 homens vai sendo revelado. Através do diálogo entre os jurados, somos apresentados às convicções pessoais que os levaram a considerar o garoto culpado e ao preconceito disfarçado carregado por eles.

29 – Repulsa ao Sexo (1965)

Cena do filme Repulsa ao Sexo onde a protagonista anda em um corredor escuro de seu apartamento com mãos saindo da parede.

Ambientado em Londres, o filme de Roman Polanski (O Bebê de Rosemary) acompanha Carol Ledoux (Catherine Deneuve), uma mulher sexualmente reprimida que vive em um apartamento com sua irmã mais velha. No dia em que sua irmã decide aproveitar as férias em uma viagem, Carol fica sozinha no apartamento e tem seu estado emocional abalado pela solidão.

A protagonista sofre de “Transtorno de Aversão Sexual”, que consiste na rejeição extrema e persistente a todo tipo de contato genital com outra pessoa e coloca o indivíduo em um estado de asco e ansiedade. No caso de Carol, a aversão faz com que ela entre em uma profunda depressão que beira loucura patológica por assustadoras alucinações com estupros e atos iminentes de violência.

28 – Persona (1966)

As duas personagens principais do filme Perna (1966) se olhando no espelho.

Após um evento traumático, a famosa atriz Elisabeth Vogler (Liv Ulmann) para de falar. Ela é enviada a uma clínica psiquiátrica onde fica aos cuidados da enfermeira Alma (Bibi Andersson), que acabara de começar na profissão e ainda se sente um pouco insegura. Após três meses sem proferir uma única palavra, a orientação psiquiátrica sugere que as duas vão à uma casa de campo e passem um tempo por lá.

Ao se instalarem no novo local, Alma fala pelas duas, enquanto Elisabeth comunica-se apenas por gestos. Não demora para que a enfermeira se aproxime da paciente e crie uma relação de dependência em relação a ela, ao passo que enxerga a mulher como uma forma de desabafar seus problemas e simplesmente ser ela mesma.

Por meio dessas duas personalidades opostas, o filme representa dois aspectos do ser humano: a enfermeira, que fala o tempo todo e demonstra alegria em suas palavras, representa a verdeira face que gostaríamos de mostrar ao mundo; a paciente, que só observa e nada fala, é a forma que aprendemos a lidar com as adversidades da vida, é a frieza, as barreiras que criamos entre nossos semelhantes, seja motivada pela dor, seja pelo medo.

27 – A Hora do Lobo (1967)

Três personagens do filme A Hora do Lobo em um quarto elegante.

Um pintor (Max Von Sydon) e sua esposa (Liv Ullmann) vão morar em uma ilha afastada de tudo e conhecem um misterioso grupo de pessoas que passam a trazer angústias ainda maiores à vida do casal, que já estava atormentado pelos pesadelos do pintor e por conflitos psicológicos. Durante a hora do lobo, entre a meia-noite e a aurora, ele conta para sua esposa suas memórias mais dolorosas, e começa a questionar a própria lucidez.

Os acontecimentos do filme são narrados pela esposa do pintor, que logo no início nos informa que ele havia sumido para nunca mais aparecer. Ela então faz uma retrospectiva dos eventos que sucederam o incidente e analisa as possíveis causas para que isso tenha ocorrido. O filme aborda o desamparo humano; a solidão diante de um suposto criador que nunca se faz presente, encontra outra face do seu desespero na ilusão sempre desfeita do casal. O que poderia ser encontro, fusão, preenchimento, torna-se de maneira muito rápida desilusão e uma solidão ainda pior.

26 – Laranja Mecânica (1971)

Protagonista do filme Laranja Mecânica com equipamento instalados em seu rosto que o obrigam a assistir uma projeção perturbadora, evidenciada pela sua face de desespero.

Alex (Malcolm McDowell) é um carismático sociopata cujos interesses incluem música clássica (especialmente Beethoven), estupro e o que é chamado de “ultraviolência”. Ele lidera uma pequena gangue de arruaceiros (Pete, Georgie e Dim), a quem ele chama de seus drugues.

O filme narra a horrível série de crimes de sua gangue e o momento em que ele é capturado pelas autoridades. Na prisão, Alex vira cobaia de experimentos destinados a refrear seus impulsos destrutivos, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.

Inspirado no livro homônimo de Anthony Burgess, Laranja Mecânica é descrito por Stanley Kubrick, o diretor do filme, como “uma sátira social lidando com a questão de saber se a psicologia comportamental e o condicionamento psicológico são as novas armas perigosas para um governo ditatorial usar para impor grandes controles sobre seus cidadãos, e transformá-los em pouco mais do que robôs”.

25 – Uma Mulher Sob Influência (1974)

Protagonista do filme Uma Mulher sob Influência com expressão zangada olhando para alguém enquanto aponta para algo com seu dedo indicador.

Nick Longhetti (Peter Falk) está sobrecarregado devido ao seu trabalho em um estaleiro. Sua esposa Mabel (Gena Rowlands) passa por uma fase difícil, vivendo em constante desequilíbrio emocional, o que a leva à depressão. Quando os filhos começam a ser afetados pelo estado de Mabel, Nick é obrigado a hospitalizá-la.

A retirada de Mabel para tratamento psicológico seguida por sua volta ao convívio familiar avigora a necessidade que a sociedade tem de colocar seus indivíduos em padrões específicos. Muito além do que ela faz ou fala, o problema se encontra naquilo que os outros pensam a seu respeito e à forma distorcida como sua personalidade é interpretrada.




24 – O Enigma de Kaspar Hauser (1974)

Plano aberto do filme O Enigma de Kaspar Hauser com o protagonista jogado no chão de uma floresta.

Um homem jovem chamado Kaspar Hauser (Bruno S.) aparece de repente na cidade de Nuremberg em 1828, e mal consegue falar ou andar, além de portar um estranho bilhete. Logo é descoberto que sua aparição misteriosa se deve ao fato de que ele ficou trancado toda sua vida em um cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior.

Perplexos com sua singularidade, os moradores o deixam prisioneiro em uma torre, onde ao longo de dois anos ele amplia seu vocabulário ensinado por uma família que o ajuda e por um padre. O jovem aprende facilmente música, tricô e jardinagem, mas é um fracasso em compreender as convenções da época, principalmente as ligadas à sociedade, ciência e religião.

23 – Um Estranho no Ninho (1975)

Dois personagens do filme Um Estranho no Ninho sentados em um banco olhando um para o outro com as roupas brancas do hospital psiquiátrico.

Baseado no best-seller de Ken Kesey, Um Estranho no Ninho narra a história de Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson), um prisioneiro que simula estar fora de suas faculdades mentais para não trabalhar e ir para uma instituição para doentes mentais onde pode passar o tempo.

Lá, ele estimula os internos a se revoltarem contra as rígidas normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher), mas não tem ideia do preço que irá pagar por desafiar uma clínica “especializada”. Os personagens bem desenvolvidos dão uma ampla visão do cotidiano difícil em uma instituição psiquiátrica; cada um com histórias tocantes e motivações convincentes que nos fazem enxergá-los com um olhar sensível guiado pela personalidade contestadora do protagonista.

22 – Sybil (1976)

Personagens do filme Sybil sentados em um banco prestes a se beijarem.

Ambientado em Nova York, o filme narra a história de Sybil Dorsett (Sally Field), uma jovem que desenvolveu várias personalidades devido aos abusos que sofreu de sua mãe no passado. As personalidades criadas por ela totalizam mais de dez, cada uma com características bem distintas, como a agressiva Peggy Lou, a potencialmente suicida Mary, o bebê Sybil Ann e muitas outras. Uma psicanalista, Cornelia Wilbur (Joanne Woodward), diagnostica a condição de Sybil e tenta ajudá-la, apesar de saber que está lidando com um caso único.

21 – Zelig (1983)

Woody Allen no filme Zelig vestindo roupas sociais com duas frutas grandes em seus braços.

Filmado no estilo “mockmentary”, o filme de Woody Allen (Annie Hall, Meia-Noite em Paris) é ambientado entre a década de 1920 e 1930 e fala sobre Leonard Zelig (Woody Allen), um homem comum que passaria desapercebido pela história se não fosse sua capacidade de modificar sua aparência para agradar as outras pessoas.

“Mockmentary” é um pseudodocumentário que faz paródias e/ou sátiras de eventos famosos. O termo vem da união das palavras inglesas “mock” (falso) + “documentary” (documentário) e representa nada mais do que filmes que tentam nos fazer acreditar que o ocorrido em tela realmente aconteceu.

Como uma espécia de “camaleão humano”, a figura de Zelig assusta a comunidade científica: médicos e psiquiatras o submetem às mais bizarras experiências envolvendo descargas elétricas e drogas, com exceção da doutora Eudora Fletcher (Mia Farrow), que acreditava na natureza psíquica da anomalia.

O blog Cingenose faz uma análise precisa do filme, afirmando que a narrativa apresenta as duas principais vertentes da Psicologia de Massas: a do francês Gustav Le Bon e do austríaco Sigmund Freud. Le Bon acreditava que que o indivíduo em meio à “multidão” perde o raciocínio, a consciência e a capacidade crítica, tornando-se presa fácil de uma “mesmerização” coletiva; para Freud, tal caso poderia ser analisado por um viés psíquico, onde o medo da solidão leva o homem a tornar-se um ser mimético, isto é, alguém que procura se integrar ao entorno através da imitação. 

 

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