9 cenas memoráveis do cinema com músicas de David Bowie

Poucos artistas exerceram tamanha influência em tantos campos da arte quanto David Bowie. Sua contribuição para a música, o cinema, a moda e as artes visuais construiu um legado que ajudou a moldar a identidade de uma geração, transcendendo qualquer tipo de limitação estabelecida por esses meios. A sensibilidade de Bowie fez dele alguém capaz de antevir a mistura de estilos e, assim, estabelecer o fim da fronteira nas artes ao criar a simbiose perfeita entre em campos artísticos distantes até então.

O visual marcante e notoriedade artística de David Bowie abriram a ele portas no cinema que possibilitaram que interpretasse personagens marcantes, como um alien que caiu na Terra, o Rei dos Globins, Nikola Tesla e Andy Warhol. Mas a contribuição de Bowie para o cinema foi muito além das atuações. As melodias cativantes e letras que evocam a imaginação de suas músicas já serviram como o complemento perfeito para cenas de determinados filmes. A lista de hoje traz 10 cenas memoráveis do cinema que entraram a sincronia perfeita com músicas de David Bowie.

9 – Labirinto – A Magia do Tempo, “As The World Falls Down”

Ao lado de O Homem Que Caiu na Terra (1976), Labirinto – A Magia do Tempo (1986) é um filme onde David Bowie assume o protagonismo ao interpretar Jareth, o Rei Duende que rapta um bebê e força sua irmã de dezesseis anos a vir resgatá-lo. O filme é composto por diversas canções interpretadas por Bowie, com destaque para a animada “The Magic Dance”, mas “As The World Falls Down” é a síntese perfeita de toda a atmosfera de Labirinto: o baile frequentado por pessoas exóticas com máscaras extravagantes e a estranheza da jovem naquele ambiente remetem ao universo lúdico e fantasioso em que habita o Rei dos Duendes.

8 – C.R.A.Z.Y., “Space Oddity”

O drama canadense de 2005 conta a história de um jovem entre os anos 1960 e 70 descobrindo sua homossexualidade e as dificuldades dessa fase que são agravadas pela postura conservadora do pai e do ambiente em que foi criado. “Space Oddity” serve como uma ótima metáfora ao estado de espírito do jovem. A música que fala sobre um homem se perdendo no espaço que, ao mesmo tempo em que se encontra fascinado pela beleza do vazio que contempla, também se sente assustado com a situação em que se encontra, retrata a situação do jovem naquele exato momento. A possibilidade de um futuro melhor é encantadora, mas as incertezas do momento exercem um efeito negativo em seu estado de espírito.

7 – A Vida Secreta de Walter Mitty, “Space Oddity”

“Space Oddity”, o sexto single da carreira de Bowie, foi inspirado no clássico da ficção científica 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), dirigido por Stanley Kubrick. A ideia de um astronauta que vai ao espaço e perde contato com a central do controle aliada à melodia única da música, regida majoritariamente por voz e violão, apela para o imaginativo ao descrever em apenas cinco minutos uma história sobre desprendimento e incerteza. É exatamente nessa situação que o protagonista de A Vida Secreta de Walter Mitty (2013) se encontra. Distante de casa e em busca de um objetivo cada vez mais distante, a música funciona como um ponto de virada fundamental na história; ela o motiva a ir atrás daquilo que estava procurando, fazendo-o embarcar em um helicóptero por mais que sua expressão assustada revele sua insegurança frente a tal decisão.

6 – Estada Perdida, “I’m Deranged”

Após Twin Peaks: Fire Walk With Me (1994), a dupla de artistas excêntricos e surrealistas formada por David Bowie e David Lynch trabalhou em conjunto no filme Estrada Perdida (1997). A música composta por Bowie e Brian Eno (Moulin Rouge, Duna) é tocada nos créditos iniciais e finais enquanto observamos as linhas centrais de uma rodovia durante a noite. A imagem repetitiva aliada ao toque eletrônico da música salienta a atmosfera obscura característica dos filmes de David Lynch, que em Estrada Perdida se dá através de uma onda crescente de paranoia e personagens enigmáticos que transitam entre o real e o imaginário.

5 – As Vantagens de Ser Invisível, “Heroes”

As Vantagens de Ser Invisível é um filme sobre as incertezas da juventude que abusa de referências dos anos 1980 e 90 para estabelecer a indentidade de ser personagens. Entre Pavement, Sonic Youth e The Smiths, a música “Heroes”, de David Bowie, funciona como o hino do filme quando tocada durante a emblemática cena do túnel, onde a personagem interpretada por Emma Watson é vista com profunda admiração por Charlie (Logan Lerman) enquanto aproveita o momento em que “Heroes” é tocada no rádio. Qualquer pessoa pode se identificar com essa cena. Quem nunca ouviu aquela música marcante durante um momento perfeito e apenas aproveitou aqueles poucos minutos como se nada ao redor importasse?

4 – Bastados Inglórios, “Cat People”

O quinto capítulo de Bastardos Inglórios (2009) é aberto sem nenhum diálogo, apenas a música “Cat People” tocando enquanto Shosanna (Mélanie Laurent) se prepara para executar seu plano final: usar rolos de filmes antigos para incendiar um cinema lotado de líderes do partido nazista. O diretor do filme, Quentin Tarantino, que se diz um fã da música, afirmou que tinha muita vontade de construir toda uma sequência acerca de “Cat People” em um de seus filmes, diferente do que o diretor Paul Schrader fizera no filme Cat People (1982), onde apenas colocou a música nos créditos finais sem criar uma combinação interessante entre som e imagem.

3 – Frances Ha, “Modern Love”

Frances é uma jovem que carrega o sentimento de não pertencer a lugar nenhum. Sua situação financeira instável e a colega de quarto que a deixou para ir morar com o namorado alimentam em Frances o desejo de jogar tudo para o alto e fazer aquilo que der na telha. Apesar de todas as dificuldades, ela nutre o espírito positivo que a faz acreditar que um dia tudo irá melhorar. Essa vontade de lutar por sua independência é evidente na cena em que Frances corre nas ruas de Nova York ao som de “Modern Love”, como alguém verdadeiramente feliz mesmo que se encontre em um estágio conturbado de sua vida. A cena é claramente inspirada no filme Sangue Ruim (1986), desde o ambiente em que é filmada até a interpretação dos personagens.

2 – A Vida Marina de Steve Zissou, “Life On Mars”

Em A Vida Marina de Steve Zissou, o cineasta Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste, O Fantástico Sr. Raposo) presta uma homenagem a duas figuras emblemáticas: Jacques Costeau e David Bowie. Baseada nos feitos do oceanógrafo, documentarista e inventor conhecido mundialmente por suas viagens de pesquisa, a história é contada inteiramente ao som das músicas de Bowie, que ganharam uma releitura sensacional de Seu Jorge, que também desempenha um papel significativo como ator no filme. “Life On Mars”, no entanto, é tocada na versão gravada pelo próprio Bowie, no melhor momento possível: quando o protagonista Steve Zissou (Bill Murray) descobre que talvez tenha um filho que nunca conheceu. Ele vai ao topo do navio para processar a informação e “Life On Mars” começa a tocar acompanhada pela paisagem enigmática ao fundo, que transmite o turbilhão de sentimentos vivido pelo protagonista.

1 – Sangue Ruim, “Modern Love”

Leos Carax (Holy Motors, Os Amantes da Ponte Neuf) utilizou músicas de David Bowie em diversos de seus filmes, mas é em Sangue Ruim que consegue a cena mais notória por meio dessa combinação. A melodia alegre de “Modern Love” se contrapõe ao clima depressivo em que se encontram os personagens vividos por Denis Lavant e Juliette Binoche. Assim que a música começa, Denis Lavant vai à rua sem um motivo aparente, como em um frenesi para libertar algo que o afligia, correndo sem direção certa em uma performance magistral abrilhantada pela direção de Leos Carax, que consegue criar um quadro vivo ao mesclar o cinza industrial dos muros com a vivacidade do vermelho em uma repetição genialmente hipnotizante.

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