10 filmes pouco conhecidos na Netflix que definitivamente merecem sua atenção




Escolher um filme para assistir na Netflix pode ser uma tarefa difícil, ainda mais com tantas opções disponíveis. Quem nunca sentou no sofá para ver um filme e quando se deu conta já estava ali há quase uma hora sem ter escolhido nada? Isso acontece comigo o tempo todo, por isso indicações de amigos ou blogs que sigo são sempre bem-vindas.

Se você é o tipo de pessoa que ama filmes, provavelmente já devorou grande parte do catálogo da Netflix, mas a boa notícia é que em meio àquela imensidão de filmes, sempre haverá algo bom que talvez você não tenha assistido. Na lista de hoje selecionei 10 filmes desconhecidos que estão disponíveis na plataforma e definitivamente merecem mais atenção.

O critério utilizado para definir se os filmes entrariam ou não na lista foi checar suas avaliações em redes sociais de filmes, principalmente no Filmow. Aqueles com mais de 5 mil avaliações foram deixados de fora – o que explica a ausência de alguns clássicos na lista.

10 – Entre Nós (2013)

O filme brasileiro conta a história de sete jovens amigos escritores que viajam para uma casa de campo para celebrar a publicação do primeiro livro do grupo, onde escreveriam cartas que deveriam ser abertas dez anos depois. Apesar da viagem acabar tragicamente após a morte de um amigo, o grupo se reúne após os dez anos para ler as cartas.

Ambientado na Serra da Mantiqueira, Entre Nós é um filme sobre o efeito ambíguo do tempo e sua interferência nas relações interpessoais. Passados os dez anos, diversas mudanças aconteceram: uns obtiveram sucesso, outros convivem com o fracasso; casais se formaram, amizades se desfizeram. Tudo isso é pontuado por ótimos diálogos e uma ótima fotografia, além da sincronia do elenco que conta com nomes como Caio Blat, Carolina Dieckmann e Maria Ribeiro.

9 – O Hospedeiro (2006)

O Hospedeiro é um filme B de terror coreano que apesar de se sustentar na famigerada temática homem x monstro, quebra diversas convenções do gênero. A trama gira em torno de uma família que foi separada quando um monstro criado por lixo tóxico emergiu dos esgotos de Seul, fazendo com que eles precisam lutar por sua sobrevivência.

Dirigido por Joon-hoo Bong (Okja, Expresso do Amanhã), o filme é muito aclamado pela crítica e adorado pelos fãs do terror trash, mas apesar disso não possui grande reconhecimento do público em geral e fica restrito a um nicho cinematográfico bastante específico. Recomendo O Hospedeiro para quem tem a mente aberta e procura por algo diferente, um terror/suspense que vai além dos padrões hollywoodianos ao usar a figura do monstro como uma metáfora para estabelecer críticas políticas e sociais.

8 – Em Nome de Deus (2002)

O filme acompanha a história de três jovens enviadas a um dos conventos das Irmãs Madalena, instituição católica cujo objetivo inicial era a `recuperação` de prostitutas irlandesas, mas, com o passar dos anos, passou a servir de prisão para qualquer mulher que tivesse sua índole questionada: de mães solteiras a adolescentes cujo maior crime era a beleza, consideradas ‘tentações’ para o sexo oposto, motivo pelo qual deveriam ser punidas.

O filme evidencia uma das tantas barbáries cometidas pela igreja em nome de Deus, mas diferente das Cruzadas ou da Inquisição, não estamos falando de um evento que aconteceu há muito séculos atrás, mas sim de uma instituição responsável por torturar garotas cuja última unidade foi fechada somente em 1996.

Servindo não apenas como denúncia, mas também como registro de uma era de absurdos, Em Nome de Deus é um discurso que deve não apenas ser assistido, mas também encarado como uma reflexão sobre o poder do controle e de como palavras mal interpretadas podem simplesmente destruir a vida daquele em posição mais frágil e sem uma orientação correta.

7 – O Que Fazemos nas Sombras (2014)

Dirigido e estrelado por Jemaine Clement e Taika Waititi (este último tem ganhado bastante espaço na grande mídia por ser o diretor de Thor: Ragnarok), o mocumentário acompanha a rotina de quatro vampiros que viveram gloriosamente em séculos passados mas agora precisam lidar com as tarefas da vida moderna, como lavar a louça e manter a casa arrumada.

A comédia coloca seres que sempre foram retratados como criaturas poderosas e aterrorizantes em uma situação um tanto quanto inconvencional, o que ajuda a quebrar todo o misticimo que gira em tornos delas e coloca-las em uma posição mais ‘humana’. A forma como O Que Fazemos nas Sombras é filmado se assemelha a séries como The Office e Parks and Recreation, conferindo ainda mais veracidade à trama e dando o toque humorístico que faz torna o filme tão único.

6 – Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador

Gilbert (Johnny Depp) é o irmão mais velho de uma família nada convencional. Sua mãe (Darlene Cates) sofre de obesidade mórbida e seu irmão Arnie (Leonardo DiCaprio) tem problemas mentais. O jovem ainda se esforça para levar adiante seu relacionamento com Becky (Juliette Lewis), mas a ansiedade e as pressões familiares se acumulam cada vez mais, conduzindo-o a uma espiral de problemas e ansiedade.

Com personagens muito bem desenvolvidos, Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador é um ótimo drama sobre as relações humanas e a fragilidade dos sentimentos. O filme é um marco na carreira de Leonardo DiCaprio e marca uma das melhores fases de Johnny Depp, além de propor uma reflexão precisa sobre o conceito de felicidade e as obrigações da vida que transformam nossa existência em buracos vazios onde a esperança está sempre distante.




5 – Eterno Amor (2004)

Mathilde (Audrey Tautou) e Manech (Gaspard Ulliel) cresceram juntos e, com o tempo, descobriram o amor. Só que a Primeira Guerra Mundial chega e, assim, eles se separam. Ao final da guerra, ela descobre que seu noivo usou métodos ilegais para ser dispensado da guerra e por isso foi condenado à morte. Na esperança de que Manech ainda esteja vivo, Mathilde parte por conta própria em uma busca por pistas que confirmem isto.

Eterno Amor marca o amadurecimento de Jean-Pierre Jeunet (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Delicatessen) como cineasta e conta com atuações magistrais de Audrey Tautou e Marion Cottilard. A bela fotografia é pontuada por cenários grandiosos, não é à toa que o filme recebeu indicação para os Oscars de Direção de Arte e Fotografia. Todo o trabalho visual impecável é acompanhado pela trilha sonora incrível de Angelo Badalamenti (Veludo Azul, Mulholland Dr.), certamente um dos pontos altos do filme.

4 – Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo (2017)

Após ter sua casa invadida e alguns pertences roubados, Rose (Melanie Lynskey) pede ajuda à polícia local, mas eles não parecem muito interessados em ajudá-la. Inconformada com a situação, ela parte em uma jornada junto com seu vizinho Tony (Elijah Wood) em busca dos criminosos, mas acaba se envolvendo em uma situação mais complicada do que havia previsto.

Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo tem uma pegada alternativa e é o tipo de filme que agrada os fãs de produções independentes. Os dois ótimos personagens centrais e a trama simples são o que tornam este filme único; não há necessidade de efeitos visuais ou apelos narrativos para cativar o espectador, basta uma história original com protagonistas muito bem desenvolvidos. O filme, produzido pela própria Netflix, foi o vencedor do festival de Sundance em 2017, mas apesar disso não parece ter conquistado a atenção do público em solo brasileiro, o que é totalmente injusto, visto que foi um dos melhores lançamentos do ano.

3 – Brazil (1985)

Em um futuro distópico, uma empresa é responsável por resolver todos os problemas da população. Porém, sua interferência nas liberdades individuais ocasiona o surgimento de alguns grupos terroristas que têm como principal objetivo derrubar a instituição. Neste contexto conturbado, acompanhamos Sam (Jontathan Pryce), um homem com uma rotina monótona que transita entre seu trabalho e sua casa. Certo dia, ele acaba se envolvendo com a mulher de seus sonhos, uma terrorista, e esta relação vai aumentado gradativamente seu desejo por liberdade, o que logo o transforma em um inimigo do Estado.

Sei que Brazil está longe de ser um filme desconhecido, pelo contrário, é um ícone cult que figura entre as maiores obras do cinema de ficção científica, mas sentia que essa lista merecia um clássico de respeito, então resolvi incluí-lo, já que os outros clássicos no catálogo da Netflix são grandes conhecidos do público. O aspecto surrealista deste filme faz com que seja difícil descrevê-lo, é quase como que a simulação de um sonho; um universo onde a ficção científica mostra todo o seu poder de divagar sobre a relação homem x governo x máquina. Devido às diversas interpretações acerca do tema complexo proposta pela obra, o mais recomendado é que o leitor assista e tire suas próprias conclusões.

2 – The Act of Killing (2012)

The Act of Killing é um filme nada convencional. Mais precisamente, trata-se de um documentário brilhante sobre as atrocidades cometidas por executores profissionais após o golpe militar de 1965 na Indonésia. Em menos de um ano, mais de um milhão de pessoas foram executadas. Diferentemente de velhos nazistas, ditadores argentinos ou nomes como Augusto Pinochet, os homens à frente desse exército nunca foram levados pela história a admitir seus crimes contra a humanidade. Ao contrário, vivem hoje como heróis nacionais.

Partindo dessa premissa bizarra, o filme de Joshua Oppenheimer segue Anwar Congo, um famoso executor que é convidado a falar sobre as torturas que cometia e reencenar algumas delas, inspirado pelos filmes de ação americanos que tanto adora. Após todos esses anos, o homem ainda é atormentado por seus fantasmas do passado, mas não vê as atrocidades praticadas por ele e seus companheiros como algo fora do normal: eles acreditam que fizeram o correto para salvar sua nação e inclusive eram encorajados pelo governo, que acoberta até hoje seus crimes horrendos.

1 – Senhores do Crime (2007)

Uma vez alguém me disse que “O próprio o David Cronenberg é um gênero cinematográfico”. Quando olhamos para Senhores do Crime, esta afirmação não poderia estar mais correta. O diretor é capaz de transformar uma história investigativa com a máfia russa em uma trama única, repleta de simbolismos, mistério e personagens muito bem delineados.

A trama tem início quando Anna (Naomi Watts) decide investigar sobre a identidade de uma jovem russa que morreu durante o parto. A investigação faz com que ela entre em contato com o lucrativo tráfico do sexo, comandado pela máfia russa.

Senhores do Crime está inserido em uma parte mais contemporânea do cinema de Cronenberg. Se antes o diretor canadense desenvolvia suas histórias baseando-se no bodyhorror e na problemática do homem x máquina, seus filmes mais recentes partem de um viés mais humano, onde o principal inimigo de seus protagonistas deixa de ser máquina para se tornar o próprio homem. O ambiente hostil e as condições severas a que os personagens são inseridos em Senhores do Crime provam que o suspense presente no filme vem não do desconhecido ou sobrenatural, mas sim da perversidade humanada e das consequências brutais que podem ser desencadeadas por simples ações.

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