12 filmes sobre instabilidade emocional





O comportamento humano é guiado pela razão e emoção. Elas são responsáveis por moldar nossa personalidade, nosso modo de pensar e de interagir com tudo ao nosso redor, conferindo característica únicas a cada indivíduo que o diferenciam dos demais. Porém, quando a emoção deixa de ser algo saudável e passa a exercer uma influência destrutiva sobre a pessoa, os efeitos podem ser devastadores.

A instabilidade emocional é uma característica de personalidade, e quem sofre com ela muda constantemente seu estado de ânimo sem causa aparente ou razoável, encontrando-se muitas vezes em estado de depressão, ansiedade, sofrimento e de distúrbios de personalidade. As pessoas que sofrem com isso geralmente têm muita dificuldade em controlar suas emoções. Elas mudam rapidamente e sem motivos aparentes seu humor, juntamente com a intensidade afetiva, resultando em comportamentos que variam de choros excessivos a uma euforia desproporcional, por exemplo.

Na lista de hoje trago 12 filmes sobre a instabilidade emocional. Apesar do tema da lista, esse pode não ser necessariamente o tema central dos filmes listados. Alguns filmes que você encontrará aqui podem ter diversos outros temas ou aprofundamentos filosóficos, mas a questão da instabilidade emocional encontra-se em uma passagem ou personagem específico, motivo pelo qual eles foram incluídos.

12 – Blue Jasmine (2013)

A instabilidade emocional pode ser desencadeada por estressores que destroem qualquer tipo de racionalidade que a pessoa possa ter, como é o caso de Jasmine (Cate Blanchett), uma mulher casada com um milionário que vivia uma vida de luxo e perdeu tudo subitamente, tendo que se mudar para a casa de sua irmã e aderir a um padrão de vida muito abaixo do que aquele que estava acostumada.

O ar de amargura e desesperança que se nota na protagonista é proveniente de uma ruptura inesperada em seu modo de vida, que vai de 8 a 80 em um piscar de olhos. A comédia trágica de Woody Allen capta perfeitamente o estado de instabilidade emocional em que Jasmine se encontra dada suas condições; choro, colapsos nervosos e momentos de pânico acompanham a protagonista e evidenciam como uma mudança brusca causou um efeito tão negativo nela.

11 – Despedida de Las Vegas (1995)

Este talvez seja o filme mais depressivo da lista e apresenta a instabilidade emocional em um estágio muito complicado onde o suicídio se mostra a melhor opção. A trama narra a jornada de Ben (Nicolas Cage), um homem que após perder seu emprego e sua esposa decide dirigir até Las Vegas, onde planeja beber até morrer.

Lá conhece Sera (Elisabeth Shue), uma prostituta que compreende sua situação e lhe abre as portas de sua casa. Juntos, eles viverão momentos marcantes, porém ambos sabem que o processo de deterioração de Ben já é irreversível. Ainda que a grande causa de toda a deterioração vivida pelo protagonista seja o alcoolismo, sua instabilidade emocional possui um importante papel neste processo, sendo um traço de sua personalidade responsável por fazê-lo agir de tal forma e lidar com os problemas de uma forma tão pessimista.

10 – Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (2011)

Seguindo a mesma linha de raciocínio que Sofia Coppola desenvolveu em Encontros e Desencontros (2003), o filme Medianeras, de Gustavo Taretto, nos mostra que a cidade grande pode ser um agravante ao vazio existencial vivido por muitas pessoas. A história acompanha a rotina de dois jovens que vivem sozinhos em Buenos Aires e passam grande parte do tempo refletindo sobre o amor, desesperança e a arquitetura da cidade.

Martin (Javier Drolas) é um web designer meio neurótico que mal sai de seu apartamento e tem uma visão muito crítica em relação à cidade e como ela foi construída. Sua vizinha Mariana (Pilar López de Ayala) é uma decoradora de vitrines também desiludida com a vida na cidade grande que passa grande parte de seu tempo foleando seu livro predileto, “Onde  está Wally?”. Presos na instabilidade de suas emoções, os dois procuram pelo amor como quem procura Wally no desenho do livro, mas como encontrar por algo tão singular quando as pessoas mal se olham nos olhos ou conversam umas com as outras?

9 – É Apenas o Fim do Mundo (2013)

Longe de casa há doze anos, o escritor Louis (Gaspard Ulliel) vai ao encontro da mãe, da irmã, do irmão e da cunhada para informá-los que irá morrer em breve. No entanto, o roteiro da curta reunião, idealizado por Louis, sai de seu controle assim que as mágoas, as memórias, as brigas e as lágrimas do passado ressurgem de maneira implacável.

Alternando entre o presente e o passado, o filme de Xavier Dolan (Amores Imaginários, Mommy) nos apresenta uma relação familiar marcada por angústias e arrependimentos: a cunhada delicada e doce, o irmão bruto e carrancudo, a irmã revoltada e insegura, a mãe histérica e inconveniente, e Louis, o protagonista, um homem de poucas palavras que sente grande dificuldade em estabelecer uma conexão emocional com as pessoas. Cada um deles possui histórias e traços que definem sua personalidade e justificam o a origem do desequilíbrio emocional que ronda a família, mesmo que quase este seja quase imperceptível durante grande parte da história.

8 – Martha Marcy May Marlene (2012)

Martha (Elizabeth Olsen) foi integrante de um culto e hoje tenta recomeçar a vida em companhia de sua irmã e de seu cunhado. Só que ela tem terríveis pesadelos, relacionados com a época em que era controlada pelo líder do culto. É o início de um processo de paranoia constante, já que Martha acredita ser vigiada o tempo todo pelos antigos colegas.

Os esforços de boa convivência e integração social pacífica de Martha aos poucos dão lugar a crises nervosas e ataques de fúria imprevisíveis, retratados com excelência pela direção e pela atuação precisa de Olsen. Através de atitudes cada vez mais impróprias e instáveis da protagonista, o diretor estreante Sean Durkin constrói um drama denso e angustiante centrado em uma personagem psicologicamente desestruturada pela influência nociva de pessoas desprezíveis responsáveis por destruir sua estabilidade emocional.

7 – Preso na Escuridão (1997)

César (Eduardo Noriega) é um jovem bonito e conquistador que vive da herança deixada pelo pai. Durante sua festa de aniversário, o jovem conhece Sofía (Penélope Cruz), uma mulher atraente que chama sua atenção, fazendo-o largar de sua parceira de transa, Nuria (Najwa Nimri). Mas, depois de um acidente em que Nuria se suicida e ele fica com o rosto desfigurado, tudo desenrola em um jogo de realidade e sonho perturbador e suspeito.

O choque de realidade vivido pelo protagonista é a razão de sua instabilidade. Se outrora ele tinha a vida perfeita, com qualquer garota ou bem material que desejasse, agora seu principal apelo havia ido embora: a beleza. Sem sua principal característica, que por mais fútil que fosse lhe dava a confiança e alegria necessária para viver a vida, César torna-se um ser catatônico guiado por medos e angústias, características agravadas por seu estado vulnerável que só é amenizado com o uso de uma máscara.




6 – Garota, Interrompida (1999)

Após uma tentativa frustrada de suicídio, a jovem aspirante a escritora Susanna (Winona Ryder) é enviada para um centro de reabilitação cheio de garotas consideradas “incapazes” pela sociedade. Lá ela conhece diversas pessoas incríveis, com destaque para Lisa (Angelina Jolie), uma garota manipuladora que está no centro de reabilitação há 8 anos e, mesmo que de uma maneira diferente, ensina muito à Susanna sobre a vida.

Em Garota, Interrompida, as personagens são diagnosticadas com graves doenças psiquiátricas que muitas vezes as conduzem a ter um comportamento agressivo e autodestrutivo, no caso da protagonista, Susanna, o problema em questão é o Transtorno de personalidade limítrofe, também chamado de transtorno de personalidade emocionalmente instável ou borderline. A característica essencial desse transtorno é um padrão de comportamento marcado pela impulsividade e instabilidade de afetos, relacionamentos interpessoais e autoimagem.

5 – Taxi Driver (1976)

Obra-prima do século XX, Taxi Driver mostra como as emoções estão atreladas ao ambientes e características psiquiátricas do indivíduo; alguns são mais condicionados a ter sua personalidade distorcida, basta um pequeno evento traumático para desencadear que ela tenha sentimentos perversos despertados e externalizados. Esse é o caso de Travis Bickle (Robert De Niro), um motorista de táxi frustrado e alienado pela vida que leva, que sofre de insônia e da falta de um objetivo para viver.

Durante seus turnos na madrugada, Travis observa com desprezo toda violência, solidão e escória presentes na cidade de Nova York. Quando uma pequena prostituta entra em seu carro tentando fugir de um cafetão, a vida do taxista muda abruptamente. O protagonista pode ser considerado um sociopata, mas não há dúvida que essa característica advém de um distúrbio emocional vivido por ele, agravado pelas condições em que se encontra e por tudo que se passa em sua vida, eclodindo em um ato de pura insanidade que evidencia como ele era um indivíduo totalmente desconexo de qualquer tipo de racionalidade ou conexão com o que se considera uma vida “normal”.

4 – Perfect Blue (1997)

Não importa se você é uma pessoa comum ou uma celebridade, a instabilidade emocional é uma realidade que pode afetar qualquer um. A animação de Satoshi Kon (Paprika, Atriz Milenar) conta a história de Mima, uma jovem pop star que decide mudar o rumo de sua carreira tornando-se uma atriz. A mudança logo monstra sérias consequências, sobretudo no que diz respeito a sua saúde mental, que se deteriora conforme ela se depara com os desafios de sua nova carreira e ameaças de fãs que a stalkeiam.

O filme se desenvolve a partir da psique de Mima, acompanhando como suas inseguranças e a pressão do público fazem que ela gradativamente se perca em seus próprios pensamentos e se torne uma vítima de si mesma. A instabilidade emocional vivida pela protagonista ocasiona uma série de transtornos que a levam a duvidar da realidade e desenvolver um distúrbio de personalidade que dá a base à principal trama narrativa.

3 – Alabama Monroe (2012)

Um romance trágico sobre perda e luto, Alabama Monroe conta a história de um casal abalado pela morte de sua filha tentando levar adiante o relacionamento, mesmo após uma tragédia tão grande.

Contada por meio de flashbacks, a história intercala momentos de felicidade e tristeza, mostrando como um evento traumático pode gerar a instabilidade emocional. A trajetória do casal e sua difícil tarefa de se adaptar a uma vida sem a pessoa que mais amavam no mundo é desenvolvida de maneira sensível com passagens reflexivas e músicas de Blue Grass Country que estabelecem o tom narrativo, oras triste, oras feliz.

A morte da filha causa uma ferida impossível de ser curada, por isso todos os momentos posteriores a este evento são pontuados por músicas mais melancólicas, enquanto as músicas que antecedem o evento são alegres e descontraídas. A instabilidade emocional é refletida não só nas ações dos personagens, mas também nas músicas apresentadas ao longo do filme. Se você já o assistiu, perceba como a música “If I Needed Youmarca um ponto importantíssimo na história do casal, que se encontra extremamente abalado e perdido, sem perspectiva de melhora não só em sua relação, mas na vida em geral.

2 – Persona (1966)

Ingmar Bergman (Morangos Silvestres, O Sétimo Selo) é um dos diretores mais filosóficos da história do cinema e sua filmografia nos entrega diversas obras que refletem sobre mortalidade, natureza humana, o sentido da vida e diversos outros temas que dão o tom autoral de seus filmes. Em Persona, o cineasta desenvolve uma obra densa e complexa que, dentre outras questões, aborda a instabilidade emocional e suas possíveis consequências.

A trama narra o período que duas mulheres passam juntas em uma casa de campo. Alma (Bibi Andersson) é uma enfeira responsável pela famosa atriz Elisabeth (Liv Ullmann), que parou de falar após um evento traumático. Seria injusto dizer que Persona é um filme exclusivamente sobre instabilidade emocional. A complexidade da obra vai muito além dessa temática e pode ser analisada por diversas óticas que rendem diferentes interpretações.

A instabilidade emocional está presente nas duas personagens, cada uma delas possui suas fraquezas e incertezas, mesmo que uma aparente mais que outra. O caráter de dominante x dominada presente na relação entre as duas também dá margem para que o filme possa explorar com extrema sensibilidade as emoções humanas; enquanto uma fala, a outra apenas ouve, não há uma clara distinção entre qual delas está numa posição de inferioridade ou até que ponto suas personalidades se colidem, o que confere a atmosfera surrealista do filme, onde sonhos e personalidades colidem graças à instabilidade das emoções e resultam em uma relação peculiar entre duas mulheres completamente opostas.

1 – Cisne Negro (2010)

Como escrevi na crítica de mãe!, personagens obcecados por um objetivo fazendo de tudo para atingi-lo é uma temática recorrente na filmografia de Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho, O Lutador), mas em Cisne Negro ela vai além: a obsessão da protagonista a coloca em um estado emocional instável e autodestrutivo. Suas ações perdem qualquer tipo de racionalidade e a emoção deixa de ser algo saudável para se transformar em uma ferramenta nociva a ela e todos ao seu redor.

Quando uma nova adaptação mais ousada e visceral do musical O Lago dos Cisnes começa a ser planejada pelo ambicioso Thomas Leroy (Vincent Cassel), todas as dançarinas da companhia de ballet se interessam pelo papel principal da peça, que consiste em interpretar o Cisne Branco e o Cisne Negro.

O problema é que os dois cisnes são completamente opostos um ao outro: enquanto o primeiro é ingênuo e frágil, o segundo é mau e malicioso. Portanto, a responsável por interpretar os dois papeis deve ser capaz de absorver as duas personalidades e sintetizá-las dentro de um só ser. A escalada para o papel, Nina (Natalie Portman), assume essa difícil missão, que pode exercer efeitos catastróficos em sua vida.

O que a princípio começa como uma instabilidade emocional causada pela difícil adaptação ao papel e pela autodisciplina da artista, logo se torna em um sentimento muito mais profundo e destrutivo, que pende muito mais para o lado da loucura e distúrbio de personalidade do que da instabilidade emocional em si. O que é interessante se notar, no entanto, é como esse sentimento destrutivo é despertado e as consequências causadas quando não é tratado, ou pelo contrário, alimentado com obsessão pelo sucesso.

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