10 ótimos filmes de suspense na Netflix que talvez você não tenha assistido




Ultimamente tenho visto muita gente reclamando que o catálogo da Netflix carece de bons filmes. Concordo até certo ponto; quase todos os filmes que eu assisto são encontrados em outras fontes, como mídia física ou outras plataformas de streaming, mas é aquele velho ditado: “Quem procura, acha”.

Se você der uma garimpada no catálogo da Netflix vai perceber que existem muitas coisas boas, que só não recebem a devida atenção na maioria dos casos. Foi isso que eu fiz para escrever esse post. Fui na sessão de Suspense da Netflix e selecionei vários filmes de excelente qualidade que mereciam mais atenção do público.

O resultado foi melhor do que eu esperava. Na minha seleção inicial contei vinte filmes, mas dei uma peneirada e reduzi a lista para dez, ou seja, todos os filmes citados aqui são verdadeiras “jóias escondidas” no catálogo da plataforma.

Se você é um apreciador do gênero de suspense, recomendo a lista dos 10 melhores filmes de suspense da última década que fiz a alguns meses atrás. Agora sem mais delongas, bora pra lista!

10 – Maníaco (2012)

A refilmagem do clássico cult O Maníaco (1980) honra o legado da obra original, mantendo todo o clima grotesco de seu precursor, mas contextualizando a história para os dias atuais.

Estrelado por Elijah Wood, o filme acompanha a rotina de um jovem mentalmente desequilibrado dono de uma loja de manequins. A falta de contato com o mundo externo aliada à suas constantes paranoias faz com que ele desenvolva uma estranha relação com o seu principal instrumento de trabalho, os manequins.

Maníaco segue uma fórmula bastante convencional aos filmes de terror e suspense – um protagonista paranoico sem vida social e um passado misterioso se vê ameaçado por determinada situação e para contorna-la deve reavaliar seus hábitos. Esse conflito pode ser resolvido de duas formas: o protagonista resolve o problema e contorna a situação; ou se afunda em sua própria paranoia e entra numa espiral de loucura que o conduz a atitudes macabras e desprezíveis. Em Maníaco, o protagonista segue a segunda opção, e o resultado é um filme imersivo e surpreendente, que prende sua atenção do começo ao fim.

9 – Os Outros (2001)

Se você gostou de O Sexto Sentido, de M. Night Shaymalan, provavelmente gostará de Os Outros. Ambos se sustentam no mistério sobrenatural e têm um plot twist surpreendente no final. A trama acompanha Grace (Nicole Kidman) e seus dois filhos vivendo em uma casa que acreditam ser assombrada, sentimento que se intensifica gradativamente devido ao sexto sentido que as crianças possuem.

Além do sexto sentido, os dois meninos possuem uma rara doença que os impede de serem expostos ao sol, fazendo com que a casa esteja sempre em total escuridão. O diretor Alejandro Amenábar (Mar Adentro, Preso na Escuridão) acerta em cheio ao situar a narrativa exclusivamente nos interiores da casa, tornando o clima sombrio e claustrofóbico do ambiente em que os personagens estão inseridos ainda mais plausível.

Outro motivo pelo qual considero Os Outros um grande filme é a forma como a tensão é construída. Não há necessidade de sustos sem sentido ou seres do além aparecendo toda hora; o suspense se dá nos mínimos detalhes para construir uma atmosfera aterrorizante quase que imperceptivelmente, de modo que toda tensão seja finalmente liberada em clímax que figura entre os mais surpreendentes dos últimos anos.

8 – 8mm (1999)

Brutal e repugnante. Esses dois adjetivos captam a essência de 8mm, filme estrelado por Nicolas Cage que conta a história de um detetive contratado para descobrir se um snuff movie é autêntico ou não. O que a princípio aparenta ser um simples suspense investigativo logo se torna uma mistura de terror psicológico com cinema surrealista ambientada em um universo regado a sexo e violência.

Esta breve introdução já deixa claro que o filme não é para qualquer um, né? Se você não se incomoda com violência gráfica e assuntos que botam a moralidade em cheque, este filme pode vir a ser uma grata surpresa.

Snuff Movie sempre foi um tema que serviu de base para filmes polêmicos e subversivos, e com 8mm não é diferente. O filme de Joel Schumacher aborda uma questão que por si só já é perturbadora e utiliza isso ao seu favor para narrar uma história que evidencia os podres desta prática tão desprezível, cumprindo com êxito a missão de deixar o espectador desconfortável, mas ao mesmo tempo intrigado com aquilo que está assistindo.

7 – Deixe-Me Entrar (2010)

Esta é a refilmagem americana de um dos melhores filmes de vampiros da história do cinema, Deixa Ela Entrar (2008). Diferente de Maníaco, esta adaptação não se iguala à grandiosidade da obra original, mas ainda assim é um ótimo filme.

A trama narra a relação entre Owen (Kodi Smit-McPhee), um garoto solitário que sofre bullyng na escola, e Abby (Chloe Moretz), uma garota vampira que esconde um passado misterioso.

Os vampiros são criaturas clássicas da literatura de horror e estão presentes no cinema desde os primórdios da sétima arte, popularizados por obras como Nosferatu (1922) e Drácula (1931). É comum que os filmes do gênero se prendam à estigmas pré-estabelecidos onde os vampiros são retratados como criaturas perigosas e sedutoras em busca de jovens virginais para satisfazer sua sede por sangue. Isso não é necessariamente ruim, mas já se tornou uma fórmula bastante saturada.

Filmes de vampiros recentes como o excepcional Amantes Eternos (2013), e o próprio Deixe-me Entrar merecem destaque por alcançarem soluções alternativas para contar histórias originais e intrigantes relacionadas a esses seres tão fascinantes. No entanto, caso você tenha acesso a outros métodos de assistir filmes, recomendo que assista primeiro a versão original do filme, de 2008, que em minha opinião, é um dos melhores filmes de vampiros de todos os tempos.

6 – Assassinos por Natureza (1994)

Se você curte Quentin Tarantino, é bem provável que goste de Assassinos por Natureza. O roteiro do filme foi escrito pelo próprio Tarantino e vendido para o diretor Oliver Stone (Platton, Nascido em 4 de Julho). Ainda que o roteiro original tenha sofrido algumas alterações, a “vibe tarantinesca” ainda é bastante perceptível.

Ao melhor estilo Bonnie e Clyde, a trama conta a história de Mickey e Mallory (Woody Harrelson e Juliette Lewis), um casal de serial-killers que roda pelas estradas americanas e mata qualquer um que se coloque em seu caminho, mas sempre deixando uma testemunha para contar à imprensa quem foram os responsáveis pelos assassinatos.

Além de um ótimo road movie com altas doses de humor negro e violência, o filme é uma crítica super atual à grande mídia, responsável por tratar a tragédia alheia como uma mercadoria e por enaltecer figuras de caráter duvidoso responsáveis pelas mais diversas atrocidades.




5 – O Segredo dos Seus Olhos (2009)

Ainda que seja um dos filmes mais comentados do cinema contemporâneo argentino, e estrelado por Ricardo Darin, um ator bastante popular fora da Argentina, acredito que O Segredo dos Seus Olhos não é tão familiar ao público brasileiro, e por isso (além de ser um baita filme) o incluí na lista.

Benjamin Espósito (Ricardo Darin) é um ex-funcionário público que resolve escrever um livro ao se aposentar. O livro explora um caso mal resolvido de quando trabalhava no Tribunal Penal de Buenos Aires, em que uma mulher foi estuprada e assassinada em seguida.

O desenrolar dos acontecimentos cria um suspense envolvente e o desdobramento dos personagens contribui com boas surpresas, compondo alguns dos segredos que hipnotiza os olhos de quem vê. Com atuações precisas e um excelente roteiro, o filme faz jus ao prêmio do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro que conquistou em 2010.

4 – Senhores do Crime (2007)

Medo é um sentimento muito subjetivo e pode variar de pessoa para pessoa, mas uma coisa é certa: todos nós temos medo do desconhecido. Existem diversas formas de explorar o desconhecido no cinema; ele pode, por exemplo, vir de outro planeta ou de uma tecnologia com alto poder destrutivo, mas não há nada mais aterrorizante do que a perversidade da natureza humana.

Senhores do Crime baseia-se na premissa de que “o homem é o lobo do próprio homem” – os personagens são pessoas acostumadas com a violência em um ambiente hostil, onde cada ação pode resultar em trágicas consequências.

A trama tem início quando Anna (Naomi Watts) decide investigar sobre a identidade de uma jovem russa que morreu durante o parto. A investigação faz com que ela entre em contato com o lucrativo tráfico do sexo, comandado pela máfia russa.

David Cronenberg é sem dúvida um dos maiores diretores em atividade atualmente, fato comprovado por suas obras mais recentes como Marcas da Violência (2005), Mapa para as Estrelas (2013) e o próprio Senhores do Crime. Neste último, podemos contemplar um filme narrativamente simples, mas extremamente envolvente. Os personagens com grande profundidade são meios para explorar temas recorrentes da filmografia do diretor como a perversidade humana e as consequências brutais que podem derivar de uma simples ação.

3 – Amnésia (2001)

Amnésia é um clássico contemporâneo com uma das narrativas mais originais do cinema contemporâneo. A narrativa é desenvolvida de forma não-linear, de modo que os acontecimentos sejam apresentados de trás para a frente, ou seja, o que importa não são as consequências, mas sim suas causas e todos os mistérios por trás delas.

A forma de contar a história está relacionada a características do próprio protagonista. Leonard (Guy Pearce) é um homem que sofre de perda memória recente e busca encontrar o assassino de sua esposa. Para isso, ele deve reconstituir, constantemente, as descobertas de sua investigação e viver uma vida que funciona, ao mesmo tempo, no sentido normal e de trás para a frente.

Parece confuso, né? E é. Mas não deixe isso te desencorajar de assistir ao filme, pois Amnésia é uma experiência cinematográfica única, com uma proposta inovadora e executada com maestria. Além disso, Amnésia é um considerado uma das obras mais importante da filmografia do famigerado Christopher Nolan (Batman, O Cavaleiro das Trevas, Dunkirk). Isso se deve ao seu roteiro inteligente e montagem decisiva, capazes de nos prender em uma caótica espiral do início ao fim.

2 – Janela Indiscreta (1954)

É óbvio que nessa lista não podia faltar um filme de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, responsável por aperfeiçoar o gênero e estabelecer diversas diretrizes que são indispensáveis até hoje para qualquer cineasta. Janela Indiscreta é um filme que agrada a todos os públicos, desde cinéfilos mais assíduos até espectadores casuais, que só buscam um bom suspense como entretenimento.

O filme segue uma linha de suspense investigativo e é narrado através da ótica do protagonista, um fotógrafo profissional confinado em seu apartamento por ter quebrado sua perna em um acidente de trabalho. Para passar o tempo, ele vasculha a vida de seus vizinhos com um binóculo, até que acaba testemunhando alguns acontecimentos que o fazem suspeitar de um possível caso de assassinato.

Com uma direção primorosa, Janela Indiscreta é a prova definitiva que um filme de suspense não precisa de ação o tempo para despertar a curiosidade do espectador. O filme é voyeurismo puro – assim, como o protagonista, nossa visão se limita à janela de um prédio, o que funciona muito bem graças aos aspectos técnicos e narrativos do filme, responsáveis por fazer de nós, espectadores, cúmplices escondidos por todo o desenrolar da projeção, durante cada conversa travada e cada detalhe exposto. Simplesmente brilhante.

1 – Oldboy (2003)

Vingança é um tema bastante recorrente no universo cinematográfico. Enquanto alguns filmes aproveitam essa temática de forma superficial e descartável, outros conseguem aproveita-la para desenvolver obras que beiram a perfeição, como é o caso de Oldboy, filme sul-coreano dirigido por Chan-wook Park (A Criada, Lady Vingança).

Além de ser incrível visualmente, o filme possui uma das tramas mais inventivas e surpreendentes da história do cinema. O próprio diretor afirmou que os aspectos técnicos de seus filmes só são pensados após ele ter uma base concreta em relação à trama e aos personagens. Ele diz que se considera um storyteller acima de tudo, e que todos os outros elementos presentes na composição de seus filmes têm como objetivo dar suporte à história.

Isso não significa que Oldboy seja somente história e pouca ação. Pelo contrário, o filme possui uma das cenas de ação mais emblemáticas do último século e diversas sequências de tirar o fôlego, que o fazem não só pelo visual arrebatador, mas pela brutalidade e intensidade com que são reproduzias, qualidades enaltecidas pela excelente fotografia e um trabalho primoroso de edição.

O filme, baseado no mangá de mesmo nome, conta a história de Dae-su (Min-sik Choi), um homem que foi sequestrado e mantido em cativeiro por quinze anos. Quando finalmente é libertado, tudo que ele deseja é vingança e respostas para o acontecido.

A premissa pode ser bastante simples, mas o desenrolar da trama se dá por contornos surpreendentemente insanos, e ao mesmo tempo, lógicos. O caminho para a verdade é sombrio, sujo e moralmente desvirtuado. O protagonista deve passar por um verdadeiro inferno para conquistar seu objetivo, tarefa que gradativamente o transforma em um monstro irreconhecível, fruto de todas as situações que enfrentou para chegar até sua provação final.

Oldboy é um filme de suspense diferente, que não precisa apelar a nenhum clichê para conquistar a atenção do público. É um filme corajoso e inovador, que jamais teria sido produzido pela indústria americana por seu teor provocativo e subversivo. Se você gosta não só de suspense, mas acima de um bom filme, precisa assistir Oldboy.





 

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