10 filmes na Netflix que retratam a complexidade dos relacionamentos modernos

Recentemente me peguei divagando sobre como as relações interpessoais na era pós-moderna são algo de difícil compreensão. Ao mesmo tempo em que a evolução tecnológica nos aproxima do mundo, acaba nos afastando das sensações que realmente importam na vida. É como se vivêssemos em uma era onde a solidão se tornou um denominador comum entre as pessoas, que recorrem a dispositivos digitais para preencher um vazio existencial do qual parece ser impossível de escapar.

A solidão acarretada pelas mudanças sociais no século XXI possui grande influência na forma como nos relacionamos com as outras pessoas. É difícil explicar com palavras a dinâmica dos relacionamentos modernos, mas para nossa sorte existem filmes que retratam com precisão este momento tão complicado que vivemos, onde o amor é uma incógnita e a solidão uma certeza.

Filmes sobre a complexidade dos relacionamentos modernos

Pelo fato de a lista se restringir somente aos filmes disponíveis na Netflix, alguns títulos fundamentais sobre o tema acabaram ficando de fora, como “Medianeras”, “Antes do Amanhecer”, “Namorados para Sempre” e “Alabama Monroe”. Espero que gostem das indicações.

10 – Um dia (2011)

O filme acompanha a relação de Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgees) ao longo de vinte anos. Os dois se conheceram na faculdade – época em que Emma enfrentava uma série de dificuldade para se dar bem na carreira, enquanto Dexter conseguia sucesso fácil, tanto na vida profissional quanto amorosa. Ainda que distantes em diversos momentos, a trama explora como a vida dos dois esteve, de alguma forma, sempre interligada.

“Um dia” é baseado no best seller homônimo do próprio roteirista David Nicholls e consegue cumprir com a difícil missão de retratar uma relação que dura vinte anos em menos de duras horas. Um dos pontos altos da trama está na capacidade de ilustrar o amadurecimento que o tempo proporcionou tanto para Emma quanto para Dexter, bem como os altos e baixos vividos por ambos, que de alguma forma sempre os levaram a um ponto em comum.

9 – As Palavras (2012)

Rory Jansen (Bradley Cooper) é um aspirante a escritor que sonha em ter seu próprio livro publicado, mas após diversas tentativas frustradas está próximo de desistir. Certo dia, ele encontra um livro muito antigo dentro de uma valise velha comprada por sua esposa (Zoe Saldanha). Após se comover com a obra, Rory a publica como sendo de sua autoria, ganhando fama e conhecimento. A pequena trapaça pode levá-lo a caminhos indesejados e causar um grande impacto em sua vida.

A trama discute com muito cuidado o preço de uma escolha e suas possíveis consequências. Além de uma crítica ao mercado editorial, o filme também trata sobre o impacto que as frustrações na vida profissional exercem em nossos relacionamentos, não só amorosos, mas em diversos âmbitos sociais.

8 – O Maravilhoso Agora (2013)

Sutter Kelly é um jovem que nunca terminou os estudos e vive uma vida despreocupada, regada a festas e álcool. Quando é rejeitado por uma de suas pretendentes, ele se embebeda e acorda em um gramado ao lado de Aimee Finicky (Shailene Woodley), uma garota solitária e fã de ficção-científica. A partir daí, nasce uma relação que pode ajudá-los mais do que imaginam.

Pela sinopse, percebe-se que o filme tinha um alto potencial de cair em um clichê clássico do gênero: aquele do “garoto-problema” que se envolve com a “garota certinha”. Mas graças ao roteiro escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber, a história se desenvolve com naturalidade e cria um filme maduro, capaz de retratar fielmente a complexidade dos relacionamentos modernos, principalmente entre os jovens.

7 – Amor Sem Escalas (2009)

Ryan Bingham (George Clooney) é um homem que viaja pelo mundo com a função de despedir pessoas de seus cargos. Para isso, precisa saber lidar com cada uma delas, sendo extremamente equilibrado e meticuloso em seus gestos e ações, o que acaba passando a sensação de que é um sujeito frio e distante. Sua rotina muda quando conhece Alex Goran (Vera Farmiga), uma mulher que tem praticamente o mesmo estilo de vida que o seu. Ao mesmo tempo, Ryan também precisa cuidar de sua vida profissional, que se vê ameaçada quando Natalie Keener (Anna Kendrick), uma moça jovem e inteligente, propõe uma mudança radical no método de despedir pessoas.

Com diálogos pontuais e realistas, o filme constrói personagens com grande profundidade, que refletem com perfeição a relação complicada de muitas pessoas em conciliar a vida pessoal com a profissional. O título nacional pode passar a impressão de que o filme se trata de uma comédia romântica descartável (admito que eu tenho certo preconceito com essa tradução e demorei muito para assistir ao filme por causa dela), mas “Amor Sem Escalas” vai muito além disso. Há sim um pouco de alívio cômico, mas a obra se destaca sobretudo pela sua carga dramática, proveniente do emprego de Ryan, que consiste em uma tarefa bastante complicada, principalmente em meio a uma cenário de crise econômica.

6 – Não Me Abandone Jamais (2010)

Ruth (Keira Knightley), Tommy (Andrew Garfield) e Kathy (Carey Mulligan) cresceram enclausurados em um regime educacional rigoroso e controlador. Criados praticamente sem contato com o mundo exterior, os três sempre foram muito unidos, mas uma revelação surpreendente sobre doação de órgãos e o objetivo de suas vidas pode mudar o rumo da história.

Diferente dos outros filmes da lista, “Não me Abandone Jamais” possui alguns elementos característicos do gênero de ficção científica, como a sociedade distópica em que os personagens estão inseridos, remetendo inclusive a clássicos como “Blade Runner – O Caçador de Androides” e ao emblemático livro “1984”, de George Wells. O romance que surge em meio a um cenário tão melancólico e desanimador, onde a própria existência é um fardo a ser carregado, dá margem para uma série de interpretações que podem ser muito bem aplicadas à nossa sociedade contemporânea.

 

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