10 ótimos filmes de terror psicológico que talvez você não conheça




O terror é um dos gêneros mais antigos da história do cinema, sendo inicialmente explorado por George Méliès em “O Castelo do Demônio”, de 1896 e se consolidando posteriormente através de diretores como F. W. Murnau, Lucio Fulci, Wes Craven, Tobe Hooper, entre outros.

Após uma longa trajetória, o gênero atualmente possui diversas ramificações, cada uma com suas singularidades. Por exemplo, dentro do terror existem filmes slasher, gore, trash, e uma infinidade de outras categorias.

No post de hoje, irei falar sobre o terror psicológico, um subgênero do terror que se caracteriza pelo uso mínimo ou nulo de violência gráfica, jumpscares e entidades assustadoras.

O terror psicológico é capaz de amedrontar o espectador através de elementos implícitos, que costumam passar despercebidos na primeira vez, mas causam uma sensação de desconforto e incômodo com o passar do tempo. Ao apostar na imersão, muitos diretores conseguem fazer com que os efeitos aterrorizantes do terror psicológico persistam mesmo após você ter desligado a televisão ou saído da sessão de cinema.

Filmes de terror psicológico que você precisa conhecer

A lista abaixo engloba 10 ótimos filmes de terror psicológico que não são tão conhecidos quanto deveriam, mas certamente vão causar o desconforto e o arrepio na espinha característicos do gênero.

10 – Sob o Domínio do Medo (1971)

A trama acompanha o matemático David Summer (Dustin Hoffman) e sua esposa (Susan George), que decidem se mudar para uma cidade no interior dos Estados Unidos. Com o passar do tempo, David nota que o pessoal da cidade, geralmente rústico e grosseiro, não vai muito com sua cara. As coisas começam a se complicar quando sua mulher é atacada e sua casa invadida, fazendo com que precise lutar para sobreviver e se vingar dos criminosos.

Algo que contribui muito na criação da atmosfera de terror psicológico dentro do filme é a ambientação. Imagine que você está em uma casa isolada em uma cidade onde a lei não se faz eficiente e um bando de alucinados deseja te matar. O que você faria? Não há ninguém para pedir ajuda ou um lugar alternativo para se abrigar. É essa sensação de impotência perante a situação exposta que faz de “Sob o Domínio do Medo” um grande representante do gênero.

9 – 8mm (1999)

Tom Welles (Nicolas Cage) é um detetive particular contratado para descobrir se o filme de uma jovem assassinada encontrado no cofre de um milionário é um autêntico snuff movie. As pistas levam Welles até Hollywood, onde conhece um produtor de filmes pornográficos que aparentemente está envolvido no caso da jovem. Sua obsessão em resolver o mistério extrapola os limites da sanidade e o coloca frente a situações extremamente bizarras e perigosas.

O ponto principal da trama se sustenta no caráter bifocal do detetive: conforme vai se aprofundando no universo perverso dos snuff movies, passa a se tornar parte daquilo que inicialmente mais odiava. O filme de Joel Schumacher aborda uma questão que por si só já é perturbadora e utiliza isso ao seu favor construindo um roteiro que enfatiza os podres desta prática tão desprezível, cumprindo com êxito a missão de deixar o espectador desconfortável com aquilo que está assistindo.

8 – As Três Máscaras do Terror (1963)

Esta é uma trilogia de três contos independentes de terror dirigidos por Mario Bava. Na primeira estória, uma prostituta recebe repetidamente ligações de um ex-cliente que já está morto. Na segunda, uma família luta contra uma linhagem de vampiros após receber a visita de um conde russo. Por último, uma enfermeira enfrenta a fúria de uma médium falecida após ter roubado seu anel.

O clássico do cinema de terror italiano foi o responsável por inspirar Ozzy Osbourne a colocar o nome de Black Sabbath em sua banda (este é o título original do filme). Este fato sozinho já é suficiente para convencer muita gente a assistir ao filme. Mas existem diversas outras qualidades que devem ser exaltadas, como a participação de Boris Karloff interpretando um vampiro badass, os cenários macabros e a maquiagem, que impressiona até hoje, mais de cinquenta anos após o lançamento do filme.

7 – A Experiência (2001)

Vinte pessoas são reunidas para uma experiencia psicológica, que consiste em prender os participantes e dividi-los em dois grupos: oito fazem o papel de guardas e doze fazem o papel de internos. Nos primeiros dias tudo vai bem, até que a violência explode quando um ex-repórter infiltrado inicia um motim. As coisas vão de mal a pior quando um dos presos morre e os cientistas criadores do projeto são capturados.

O filme é baseado em um caso real, que aconteceu em 1971, cujo objetivo era estudar o comportamento social dos humanos quando estão inseridos em um determinado grupo social. Partindo dessa premissa, o filme explora os instintos mais primitivos e animalescos do ser humano, bem como a vontade da potência que caracteriza qualquer agrupamento social.

6 – Gêmeos: Mórbida Semelhança (1988)

A trama acompanha os gêmeos Beverly e Elliot (ambos interpretados magistralmente por Jeremy Irons) que possuem uma clínica especializada em fertilidade feminina. Contrapondo a semelhança física, os dois possuem personalidades distintas, principalmente no que diz respeito à autoconfiança. Dessa forma, um dos gêmeos sempre conquista as mulheres, e quando se cansa, passa adiante para seu irmão sem o consentimento delas. Tudo vai bem até que o irmão mais tímido acaba se apaixonando por uma cliente da clínica, pondo todo o esquema sórdido a perder.

Eu sempre afirmo que David Cronenberg é um dos maiores mestres do terror, e “Gêmeos: Mórbida Semelhança” é mais uma prova disso. O filme apresenta elementos clássicos que remetem ao estilo do diretor, como a linha tênue entre realidade e ilusão, personagens se afundando em sua própria loucura e aparatos bizarros utilizados para fins perturbadores. A derrocada dos gêmeos serve como pretexto para a construção de um pesadelo crescente e inigualável, e por isso, merece o sexto lugar nessa lista.




5 – Eu Vi o Diabo (2010)

Jang Kyung-chul (Choi Min-sik) é um psicopata sanguinário que faz o que for preciso para obter carne humana, assassinando desde mulheres grávidas até bebês recém-nascidos. Seu destino muda quando mata a esposa do agente secreto Kim Soo-hyun (Byung-hun Lee), que passa a persegui-lo para fazer vingança com as próprias mãos.

Diferente dos outros filmes da lista, “Eu Vi o Diabo” possui algumas cenas mais violentas, mas que são totalmente justificáveis dentro do contexto de vingança imprescindível. No início do filme, os dois personagens são completamente opostos – seguindo o senso comum, o agente especial seria a representação do bem e da justiça, enquanto o psicopata seria a encarnação do mal e de tudo que existe de ruim. O roteiro desconstrói muito bem este conceito ao fazer com que ambos personagens tenham motivações contundentes.

Resumidamente, o propósito do diretor Kim Jee-won com seu longa é mostrar a linha tênue entre bem e mal no processo de vingança – para você caçar um monstro, deve se transformar em um.

4 – Sozinho Contra Todos (1998)

O filme de Gaspar Noé funciona como uma espécie de continuação de seu curta “Carne”, lançado em 1991. A figura central é o Açougueiro, um homem desprezível e violento, que vaga por labirintos obsessivos repletos de ódio contra estrangeiros, homossexuais e minorias no geral. Além disso, alimenta um desejo sexual doentio por sua filha e trata sua esposa como lixo.

É claro que nesta lista não podia falar um filme do Gaspar Noé. A princípio, tinha pensado em incluir “Irreversível”, mas logo desencanei da ideia por se tratar de um filme bem mainstream, logo conhecido por muita gente. Então eu lembrei de “Sozinho Contra Todos”, o filme de Noé que considero mais perturbador e que por alguma razão não é tão conhecido.

Acredito que só a descrição do filme já consegue passar o teor pessimista da obra, então deixo a seu critério escolher se irá ou não assistir, mas tome cuidado: o protagonista mentalmente desequilibrado vai continuar repetindo os insultos e palavras de baixo calão em sua cabeça,  mesmo após você fechar os olhos ou desligar a televisão.

3 – Evil – Raízes do Mal (2003)

Erik (Andreas Wilson) é um jovem de 16 anos que cresceu em meio a violência, proveniente sobretudo das agressões de seu padrasto. Acostumado a tratar todos com violência, Erik é expulso de sua escola e transferido para uma instituição privada, que é sua última esperança de se formar. Para isso, deve ficar longe de qualquer encrenca, o que é bastante complicado, visto que presencia diariamente cenas de injustiça e humilhações por parte dos alunos-monitores, que possuem seu próprio código de regras.

O colégio para onde Erik é transferido abriga alunos pertencentes ao topo da camada social, ou seja, filhos de empresários e figuras influentes. Estes alunos se sentem acima da lei e por isso praticam uma série de perversidades com aqueles que consideram inferiores. Em frente a tantas injustiças, o personagem entra no dilema: ficar fora de encrenca e se graduar ou tomar uma ação perante todas as injustiças presenciadas? Admito que o filme possui uma carga dramática bastante alta, mas a atmosfera violenta presente no colégio é certamente capaz de afetar aqueles com um mínimo de sensibilidade e empatia.

2 – Dente Canino (2009)

Para manter a inocência dos três filhos em um mundo corrompido, um pai os mantém isolados dentro de uma propriedade rural cercada por altos muros. O único contato com o mundo externo que os três têm é uma prostituta, trazida regularmente pelo pai para saciar as necessidades sexuais do filho. De resto, tudo dentro da casa é forjado, desde a TV, que só exibe vídeos selecionados criteriosamente pelos próprios pais, até a vitrola, onde Frank Sinatra é apresentado como sendo avô dos meninos.

O filme traz a Alegoria da Caverna para um cenário familiar e contemporâneo, mostrando que a privação do “mundo real” não é um conceito exclusivo de filmes de ficção científica, como Matrix. A história é contada com domínio total dos recursos visuais e das performances dos atores, submetidos a muitas cenas de nudez, violência e constrangimento. O resultado é uma obra que pode chocar pelo estranhamento, onde tudo soa falso e artificial, mas a qualquer momento o selvagem, o sexual e o violento podem emergir rompendo tudo.

1 – Audition (1999)

Após passar dez anos sozinho devido ao falecimento de sua esposa, Shigeharu Aoyama (Ryo Ishibashi) decide encontrar uma nova parceira. Um amigo decide ajudá-lo realizando a audição para atrizes em um suposto filme. Durante o processo, Aoyama se apaixona por Asami (Eihi Shiina), uma doce e tímida aspirante a atriz, mas que carrega um passado tenebroso, que vai sendo revelado lentamente a seu pretendente.

No início, o desenvolvimento da relação entre o “casal” pode levar ao pensamento errôneo de que você está assistindo a um filme leve e dramático. Mas devo adiantar que conforme a trama progride, maiores são as insanidades provenientes da mente perturbada de Takashi Miike que você presenciará.

Apesar de conter algumas cenas de tortura e violência explícita, considero “Audition” o representante máximo do terror psicológico, devido sobretudo a sua capacidade de causar desconforto e repulsa sem auxílio de entidades malignas ou efeitos especiais. Miike utiliza a perversidade humana como principal recurso para criar um filme brutal e emblemático, onde o homem é o maior vilão de todos, capaz de cometer atrocidades inimagináveis por motivos que se abstém de explicação ou qualquer tipo de lógica.





 

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  1. Olá Vinicius, gostei bastante do post, eu amo terror e praticamente todos os seus subgêneros, mas confesso que ainda não assisti nenhuma das suas indicações. Vou salvá-las e tentar assistir!
    Abraço!

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